quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

CAMINHO...

                                    
                                      Era início do outono, as folhas das árvores jaziam sobre o caminho extenso entre as árvores, formando um tapete de tons que variavam entre o verde e o amarelo queimado, este caminho era o mesmo que em outras estações, serviam aos Mestres para seus passeios matutinos em direção a "grande árvore"!
                                       Muitas lendas circulam à respeito daquela árvore majestosa,  que por ela havia passado e descansado um famoso monge chamado Bodhidharma, ele foi um monge no sul da Índia que viajou para o sul da China e posteriormente mudou-se para o norte...Aquela árvore representava muito para todos os Mestres, era considerado um local sagrado e responsável por muitas peregrinações... 
                                         As folhas caídas dançavam uma sobre as outras embaladas pelo vento, formando redemoinhos e sons, dando ao pequeno bosque do templo, uma imagem sem igual...
                                         Naquela manhã, o jovem discípulo caminha em direção a "grande árvore", seus pés abrem caminho sobre a intensa cobertura de folhas, após alguns minutos  entre as árvores, o jovem discípulo finalmente encontra seu Mestre sentado entre as enormes raízes da árvore centenária, por um breve tempo ficou ali parado observando seu amado Mestre em profunda meditação.  O Mestre parecia fazer parte daquela imagem, estático e com um semblante sereno, parecia ele estar totalmente integrado ao tronco da árvore, ambos pareciam vinculados pela mesma energia e harmonizados pelo silêncio que era invadido apenas pelo assobio do vento!
                                          Após alguns momentos, o jovem discípulo escuta a voz de seu Mestre:
-Aproxime-se meu jovem!
-Não quero atrapalhar suas orações Mestre!
-Não está me atrapalhando! Responde o Mestre mantendo seus olhos fechados.
-Mestre... Posso fazer uma pergunta?
-Sim...
-Diga-me qual o motivo de todos os Mestres virem até esta árvore para meditar? Afinal, qual é a diferença entre esta e as demais árvores?
-Sua história...Ela foi responsável pelo descanso do Mestre Bhodhidharma!Explicou o Mestre!
-Mas só isto? As demais árvores são menos importante por este único motivo? Indaga o jovem .
-Não, todas possuem a mesma importância, mas somente esta foi escolhida pelo "Grande Sábio", isto torna a "grande árvore" não mais importante, mas sim, guardiã de um momento único!
-Que momento é este?
-O momento em que deixamos de ser apenas pessoas meditando em baixo de uma árvore e nos tornamos parte dela. Buscando a eliminação da identidade individual para nos tornarmos parte de um todo. Unificando a mente e os sentidos ao movimento de tudo que "aparentemente" está inerte...Mestre Bodhidharma interagiu com a natureza ao seu redor, naquele momento não havia diferenças entre as folhas desta árvore e Ele, o tronco desta árvore majestosa fundia-se com Ele, Não havia mais separação tudo se fundia em uma só manifestação! o VENTO e a respiração "Dele" tornaram-se um só sopro, O movimento dos galhos desta árvore, tornaram-se os movimentos de seus braços, as raízes que a sustentam, agora nutriam suas veias e seu sangue! Tudo tornou-se "ele" e ele tornou-se parte de tudo, desta forma ele encontrou o "Caminho"... Os Mestres costumam vir até este local para fluir da mesma forma, esta árvore em um determinado momento, tornou-se parte do Mestre Bodhidharma, portanto ela também  fluiu como o "Mestre", tornando-se a árvore BODHI, a Mestra de todas as árvores...Eis a questão: " Somos todos acostumados de nos vermos de forma individual, fomos criados desta maneira, participamos de tudo, mas não nos permitimos "fazer parte" de tudo. Não existe  separações individuais, somente aquelas que criamos, a sintonia entre as árvores que cria as florestas e bosques, não percebemos cada qual individualmente, pois unidas criam uma só energia, a energia coletiva... Nós humanos queremos evoluir, tornarmos iluminados, mas sem perceber a luminosidade como um todo, somente de forma individual, desta forma não encontraremos iluminação, apenas encontraremos uma forma individual de lluminescência!! Para se tornar parte de algo tão grande como "O Todo", devemos deixar de lado nossos pequeninos conceitos individuais! Portanto Flua meu Jovem...

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Great Master Makáo

sábado, 15 de dezembro de 2012

Arrumando o Guarda-roupa!







                  Certo dia, o jovem aluno aproximou-se de seu Mestre e perguntou: 
- Mestre, esta noite tive um sonho horrível...
-Que sonho ? O mestre interpelou o aluno!
-Sonhei que o Mestre havia morrido! Acordei no meio da noite assustado!
-O que há de horrível neste sonho?- Perguntou o mentor ao seu aluno...
-Sua morte...Fiquei preocupado, nunca havia tido um sonho destes....
-Não existe motivo para se preocupar, foi somente um sonho!
-Mas Mestre..."Neste momento o velho Mestre interrompe o aflito aluno e diz":
-Meu caro jovem, a morte é somente a definição de uma vida, ao depararmos com esta realidade, perceberemos que não existem perdas, somente continuidade...
-Como assim? - Pergunta o aluno!
-Vivemos para darmos continuidade as ações daqueles que já partiram, a humanidade de hoje é a continuidade da humanidade de ontem, assim será com a humanidade futura, que dará continuidade aos povos de hoje! Assim nasce a História, nossas culturas e ensinamentos!
-Mas senti um grande vazio após despertar deste sonho terrível, temi perdê-lo Mestre! Parecia tão real...
-Mas é real! Um dia este vazio ocorrerá para que voce complete este vazio novamente!
-Completar? Mas se o meu amado Mestre vier a morrer, nada tomará o seu lugar!
-Não é uma questão de tomar o lugar, mas sim preenchê-lo...Nada toma o lugar da vida, mas podemos preencher a lacuna deixada por ela!
-Com o quê? Quem poderia preencher um vazio tão grande deixado pela sua falta?
-Quando isto vier a ocorrer, voce deverá compreender que nenhum espaço é totalmente vazio e nem totalmente cheio. deve perceber que a própria vida se incumbe de preencher o espaço que outrora havia sido ocupado por mim em sua jornada!
                 As lacunas deixadas na existência são por si só um espaço a ser novamente preenchido, é como um guarda-roupas, onde guardamos diversas vestimentas, cada qual possui seu espaço, algumas apreciamos mais que outras, mas o tempo se incumbe de desgastar cada peça, evidentemente serão mais fácil de se desgastarem aquelas que mais amamos, quanto mais usamos aquelas que nos fazem sentir bem, serão estas que perderemos com nais rapidez...A vida guarda os mesmos critérios...
                 Cada pessoa que amamos, mais tempo desejamos compartilhar com elas, como uma roupa, enquanto outras são deixadas de lado, fatalmente veremos as pessoas mais próximas as nossas existências partirem...é uma lei natural meu jovem, mas não se preocupe, os cabides da vida exigem que ocupemos cada um deles com novas roupas, preenchendo assim o vazio...  O guarda -roupa (a vida), nem pode estar muito cheio, nem muito vazio, mas sempre deve ter em seu interior, a medida certa de complementos que dêem sentido a nossa existência. Os sonhos? Esqueça...só são os cabides !

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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

"O riacho e a busca"




                            Certo dia o jovem aluno passava entre os corredores do templo, onde recebia seus ensinamentos diariamente junto ao seu amado Mestre, mas naquela manhã havia chego cedo demais, por este motivo, resolveu caminhar até o jardim central, onde árvores e pássaros completavam uma imagem digna de um artista!  


                 
                             Sentou-se em uma pedra, ali ficou algum tempo, entre flores e borboletas que pairavam no ar diante de um pequeno riacho a sua frente, como se estivessem a bailar em homenagem ao belo dia que se iniciava. O jovem aluno entregou-se ao vislumbre  dos raios de sol que transpunham as folhas das árvores, formando feixes de luzes que mergulhavam na grama bem aparada do jardim do templo! Sentado diante do monumento natural que cobria sua alma, meditou...Cada vez mais seus olhos buscavam mais profundamente as sensações mais íntimas, cada ruído, cada barulho do vento que remexiam as árvores, todos os sons tornaram-se inesperadamente amplificados, sua alma havia sido tomada por um turbilhão de sons , faziam vibrar cada célula de seu corpo, o vento, o calor dos raios vespertinos do sol, o canto dos pássaros, tudo lhe parecia algo de novo, nunca havia experimentado tantas sensações ao mesmo tempo, no meio daquelas árvores, sentiu-se  abraçado pela invisível manifestação do Tao...




                                                 De repente, ele escuta uma voz entre os movimentos das águas, ele reconhece aquele timbre de voz, era seu Mestre: 
- Meu caro jovem...Onde voce está?- Busca o Mestre o seu aluno!
-Aqui Mestre...Próximo ao riacho...-Responde o aluno atento ao chamado do velho Mestre! Novamente o aluno escuta:
- Onde voce está meu jovem? - Dito isto o aluno responde:
-Aqui Mestre, próximo ao riacho!- Após a resposta do aluno, tudo volta ao silêncio natural do Jardim. O aluno espera surgir a presença de seu Mestre, mas já se havia passado algum tempo e nada do Mestre aparecer! De repente ele houve mais uma vez:
-Diga-me onde voce está? - Era novamente a voz de seu Mestre, que parecia bem distante do local onde se encontrava o aluno, que prontamente respondeu:
-Aqui Mestre no riacho... irei até seu encontro..., espere! -Dito isto o aluno se levanta de sua postura meditativa e seguiu entre as árvores em busca de seu Mestre!
Ele não percebendo a presença de seu Mentor, grita alto:
- Mestre, Onde  estás ?- Apesar de sua manifestação de  tentar encontrar seu Mestre, não obtém bons resultados, parecia uma brincadeira de "gato e rato" pensou o jovem, cansado de tentar encontrar o velho mentor!
                                Retornando ao interior do templo, percebe seu Mestre meditando diante de uma bela estátua de Buddha, ele se aproxima lentamente sem fazer barulho, mesmo assim seu Mestre diz:
- Porque demorou?
- Mestre, eu estava a sua procura...Percebi que o Senhor não conseguia me encontrar, apesar de eu responder que estava próximo ao riacho...-Neste momento o aluno é interrompido pelo velho educador:
-Eu não conseguia encontrá-lo? Ou voce que não me encontrava?
-Mestre ...Eu respondi que estava próximo do riacho, quando me perguntava onde eu estava, não me ouviu?- Perguntou o aluno desconfiado da possivel surdez do Mestre, que prontamente questionou:!
-Eu ouvi muito bem, mas a questão não é esta, voce me ouviu?
-Sim Mestre!
-O que voce ouviu?- Indaga novamente o Mestre o seu aluno.
-O Senhor perguntando a nde eu estava e eu respondi...
-Será?- Dito isto o jovem sem entender nada, disperta assustado como se estivesse em um transe, lá estava ele, sentado na mesma pedra, em posição de meditação, como teria ido parar lá? Teria ele dormido e sonhado?
                               O jovem aluno levanta-se rapidamente do local onde estava e segue correndo para o interior  do Templo, onde se depara com seu Mestre sentado no mesmo lugar...O Mestre com seu corpo voltado a estátua de Buddha, sem se virar, pergunta ao aluno:
-Voce sabe onde estava, quando te perguntei?
-Acredito que sim! Responde o aluno, que de súbito abre os olhos e se vê novamente diante do riacho em posição de meditação! Como poderia? Momentos antes ele se viu diante de seu Mestre..Como foi parar lá novamente?
                                Teria sonhado? Um sonho dentro do sonho?
                                Desta vez, o jovem caminhou lentamente entre as árvores, viu os pássaros e as borboletas banhando-se aos raios de sol entre os troncos das árvores, caminhou pelo grande jardim do templo até a porta. Lá estava seu Mestre em pé, fitando-o nos olhos em silencio, silencio este interrompido por uma só pergunta feita pelo Mestre:
-Por onde andou meu caro jovem?
-Em busca de Meu Mestre...Meu Mestre interior!
-Que bom...Quando o discípulo está pronto...O Mestre aparece! Respondeu o Mestre ao aluno sorrindo!
                                         Neste momento o aluno percebeu que em momento algum havia se afastado do pequeno riacho, que instante nenhum ele havia deixado seu estado meditativo, que a voz de seu Mestre era na verdade a sua voz interior que lhe perguntava:
"Onde estás?"


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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Entrevista do Mestre realizada por um aluno!


                                               O Caminho da Resposta!


Aluno: Poderia nos explicar quais são as principais diferenciações entre as artes marcias orientais?

Mestre: As artes marciais orientais se diferenciam  por regiões, no caso da China, as artes do Wushu, elas são profundamente voltadas aos movimentos mais flexíveis e movimentos mais circulares, enquanto no Japão os movimentos são mais direcionados em linha reta na maioria dos casos e levam muito em consideração a força exercida em um golpe de impácto, temos como exemplo o Karatê. Na Tailândia as formas marciais, intensificam os movimentos flexíveis e de velocidade, mas dando ênfase principalmente aos movimentos das articulações ao qual chamamos de "golpes de profundidade" que são aplicados por meio de joelhadas e cotoveladas comum no Muay Thai! No Vietnã muitas das técnicas são voltadas ao uso das pernas como referência de estilo ( Viet- Vo -Dao), bem como os estilos da Coréia...Nestes casos o Tae Kwon Do e o Tang Soo Do e o Hapki-DO! Mas na maioria das artes marciais existe algo em comum, o uso de técnicas de mobilizações e armas...

Aluno: Estas diferenças tem algum motivo para existir e quais são?

Mestre: Basicamente as diferenças existem de acordo com os costumes étnicos,  questões geográficas e atividades diárias em cada região. Na China, principal fonte histórica das artes marciais, originou-se o Kung Fu, como é conhecido no Ocidente, a partir da necessidade do povo em proteger-se de muitos ataques regionais pelo império, com a falta de recursos bélicos (armas), o povo começou a desenvolver técnicas corporais e de armamentos caseiros e da lavoura, sendo esta a principal fonte de recursos nos vilareijos chineses, daí por diante, as técnicas foram sendo aprimoradas até os dias atuais. A questão geográfica impera em muito no desenvolvimento das artes marciais e suas características diferenciadas. Em lugares com muitas montanhas a força é muito mais exigida no corpo, enquanto em lugares planos, o corpo é exigo mais em flexibilidade, principalmente em lugares onde se cultiva os arrozais no oriente! Pelo fato de ficarem muito tempo curvados para o cultivo do arroz, havia a necessidade de exercícios que alongassem a coluna e assim sendo nascia os movimentos mais flexíveis nestas regiões!



Aluno: Mestre, quais as artes marciais consideradas mais eficientes?

Mestre: Cada qual tem seu ponto forte e da mesma forma, tem seus pontos fracos, algumas intensificam técnicas que permitam uma boa defesa, mas são carentes em golpes de ataque, já outras são exatamente ao contrário, são exímias no ataque mas sofrem na defêsa. Podemos perceber também que muitas artes marciais são bem adequadas em suas técnicas de chão e de mobilizações, mas sofrem uma carência de movimentos diretos, estas técnicas são extremamente funcionais com um só atacante, quando estão diante de dois ou mais adversários, não possuem condições de uma defesa funcional! Outras são perítas em uso das mãos mas são visivelmente precárias nos usos das pernas ou vice-versa! Não existe arte marcial mais eficiente mas sim o "praticante" mais eficiente! 

Aluno: Em sua opinião pessoal, qual a arte mais difícil de ser aprendida?

Mestre: Cada qual possui seu índice de dificuldade, mas esta mesma dificuldade está relacionada ao biotipo de seu praticante, bem como qualquer atividade esportiva, isto é visto no Basquete, volei, natação...Isto também ocorre nas artes marciais! As pessoas que buscam uma arte marcial deve levar em conta o seu biotipo, existem técnicas que serão compatíveis ou não as suas características físicas, um exemplo que posso dar é o Tae Kwon Do, esta arte marcial Coreana está muito mais indicado para pessoas que possuam pernas longas e de meia estatura, isto não significa que outras pessoas que não tenham estas mesmas características não possam praticar, mas sem dúvida terão maior dificuldade!  Em relação as técnicas, ao meu ver, o Kung Fu exige muito mais de seu praticante, pela quantidade de movimentos que possui e as diferentes atribuições físicas que exige de seu praticante, haja vista que em muitos estilos, possuem saltos e diferentes métodos de conduta e disciplina!




Aluno: Mestre poderia nos explicar quais são os critérios que determinam os diferentes graus e níveis de Mestres?

Mestre: Quando um adepto de artes marciais se propõe a seguir toda a trajetória de ensinamentos de um estilo, ele também se dispõe a fazer parte de uma quantidade de testes e provações nerentes as técnicas por ele desenvolvidas. Estes testes são avaliados por Mestres que acompanharam seu desenvolvimento, Professores qualificados e seus Instrutores de classe!
              Ao passar dos meses e anos de treinamentos, o aluno qualificado atinge um "grau" de educador, que poderá ser de Instrutor, em seguida de Professor, em muitos casos um grau de "Professor Mestre", qualificação esta que determinará sua futura graduação de "Mestre". Ser Mestre exige algumas qualificações nerentes somente a este Grau, que são:
-Qualificação em armas, pelo menos uma arma de lâmina, uma arma de bastão ou lança, uma arma de elos ou correntes, uma arma de arremesso, sendo uma delas em nível de especialidade!
-Conhecimento profundo sobre História de sua arte e filosofia pertinente ao estilo que pratica!
-Técnicas de meditação, concentração e contrôle mental e emocional!
-Ter profundo conhecimento de seu estilo e técnicas atribuidas as "formas e movimentos"!
-Ter um tempo de treino marcial, não menor de dez anos de prática!
-Muitas escolas só determinam um grau de "MESTRE", quando necessário, como exemplo posso citar, o falecimento de um Mestre, obrigando assim a escolha de um substituto! Atualmente as regras que são estabelecidas variam de acordo com "os sistemas" de cada arte marcial ou estilo!
                          Um Mestre de 1º grau, tem a responsabilidade de doutrinar somente Professores e graduados, um Mestre de 2º grau é responsável em formar novos Mestres de 1º grau entre seus alunos de nível de Professorados!
                          Assim segue os critérios, o Mestre de 3º grau é responsável por novos ensinamentos dos Mestres menos graduados que ele.
                          Um Mestre 4º grau é capacitado para representar seu estilo com total liberdade e torna-se responsável em elevar os níveis abaixo dele, bem como outorgar especializações específicas em outras escolas além da sua! Já os Mestres acima do 5º grau são "Mentores" dos Mestres qualificados abaixo dele (4º nivel), somente ensina Mestres de seu estilo.
                           Continuamente seguem as atribuições do Mestre 6º grau, ele é considerado pelos demais Mestres como "herdeiro da linhagem do estilo" ou seja, um futuro representante do estilo junto aos demais estilos, sendo ele responsável pelos critérios de ascensão dos Mestres em exercício de funções abaixo dele!   Enquanto o Mestre de 7ºº grau, é profundo conhecedor de técnicas medicinais e de curas e é responsável pelo ensino destas práticas aos demais Mestres abaixo dele! 
                            O 8º grau de Mestre, já é um "herdeiro direto" do estilo junto aos seus superiores, ficando responsável pelo desenvolvimento filosófico bem como espiritual de todos os Mestres abaixo dele!
                            O 9º grau de Mestre  é tido como um "Mentor elevado", suas atribuições permitem que obtenham conhecimento direto com os Mestres superiores do estilo, somente ele tem acesso aos conhecimentos do 10º grau em sua totalidade são chamados de "grãos Mestres". 
                            Os Mestres 11º grau na maioria das vezes são Mestres muito idosos e são chamados de  "honoráveis", representam todos os Mestres abaixo dele e são considerados os herdeiros dos Mestres 12º grau, que por sua vez são chamados de "iluminados".  

Aluno: Esta sua explicação sobre os níveis de Mestrado são seguidos por todos os estilos de artes marciais? Pois suponho que não, afinal muitos afirmam serem Mestres mas não possuem tais classificações!

Mestre: Como eu havia afirmado antes, as escolas possuem seus critérios, esta conduta de níveis variam de estilo para estilo, atualmente as graduações são menos tradicionais e exigem bem menos do adepto, muitas são as razões que facilitam esta escala de nível, uma delas é a visão comercial de ensino, outra é a ansiedade do aluno em atingir graduação, foi comprovado que a arte marcial que aplica a tradição, fica com menos alunos que as demais, desta forma todas se igualam a este respeito!

Aluno: Mestre, baseado no que o Senhor explicou, ao meu ver, as pessoas confundem um "Mestre" com "Professores graduados" seria isto?

Mestre: Sim... Atualmente um faixa prêta é tido como Mestre e este não é o caso, ele apenas tornou-se um "educador graduado", o Mestrado será a continuidade deste nível!

Aluno: Voltando ao assunto das modalidades marciais... Poderíamos afirmar que o conhecimento adquirido atualmente se difere dos antigos ensinamentos?

Mestre: Não diria que houve mudanças no conhecimento, mas sim, mudanças na maneira de ensino. A praticidade tomou o lugar da "busca"...Arte marcial é mais que um aspecto de defesa pessoal, mas infelizmente é somente visto como tal! A natureza humana é imediatista, quer resultados visíveis em um curto prazo de tempo, isto dificulta muito o ensino, mas felizmente existem aqueles que valorizam o ensino dentro de um sistema de crescimento gradual, mantendo assim os preceitos legítimos das artes marciais!

Aluno: Como podemos identificar um Mestre verdadeiro dentro das condutas tradicionais, daqueles que supostamente se auto definem como tal?

Mestre: Os Mestres possuem uma história por de trás de seu título.
            Antepassados que creditam à ele o grau de Mestre, a hierarquia e tradição são mais importantes que um diploma na parede!
           O conhecimento é visível e toda a sua didática lhe permite ser reconhecido, bem como a brandura da alma em que ele exala ao aluno, seu compartamento busca tornar o indivíduo mais completo e infinitamente mais capaz! Mas é importante salientar a necessidade de conhecer seus princípios alem dos golpes marciais, tais como ética, compaixão e dedicação... 

Aluno: Qual é a arte marcial mais completa?

Mestre: Aquela que dá ao praticante o direito de "criar" e não se limita apenas aos movimentos formais do estilo!

Aluno: Como o Senhor qualifica Bruce Lee?

Mestre: Um homem "livre" para criar...Que buscou em si mesmo o máximo que as artes marciais poderiam lhe oferecer!

Aluno: Bruce Lee era um Mestre? 

Mestre: Não no sentido exato da palavra, mas... acima da palavra que  descreve seu sentido!

Aluno: Para terminar...Mestre, deixe aqui uma mensagem aos praticantes de artes marciais!

Mestre: "Nunca busque superar seus medos forçando o medo nos outros, nunca defira um golpe em alguém se for possível o diálogo, nunca use seu conhecimento como forma de vantagem, mas sim, como mecanismo de crescimento aos que dele se nutrem...Não existem bons Mestres se estes foram maus alunos" As artes Marciais são caminhos para enfrentar as guerras interiores que nós mesmos criamos, antes de ser um Mestre para os outros, será de extrema importância ser Mestre de si mesmo!

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Great Master Makáo

domingo, 25 de novembro de 2012

O Duelo!

                                               
                                   Certo dia, o aluno bem treinado nas artes da luta, caminha em direção a sala de treino, onde coloca-se diante de seu Mestre e comenta:
-Mestre... Sinto-me preparado para enfrentar a maior etapa de meu aprendizado, após estes longos anos de treinos, acredito que estou pronto...Pronto para humildemente oferecer-me em combate com meu amado Mestre...Seria eu digno de sua estimada avaliação?- O aluno espera a resposta de seu Mentor que naquele momento estava diante da imagem de buddha, procedendo seu ritual diário de louvor! Responde o Mestre:
- Vejo que se sente preparado para por em avaliação seus conhecimentos...Volte amanhã e avaliarei suas atribuições! -Dito isto, o aluno afastou-se do local, indo direto para a sala de armas (Ā mǎ sī - 阿馬斯), local onde costuma treinar seu golpes e praticar solitariamente os movimentos de combate, que aprendera com seu superior! Para ele era um momento importante, iria colocar-se a prova enfrentando seu Mestre em um duelo real, com isto poderia avançar em seus objetivos de Instrutor Mestre.
                                Ele sabia que seria impossivel vencer seu honorável, não era este o caso e nem tão pouco era seu objetivo, mas sim, provar à ele, que era capaz de por em prática tudo que havia aprendido. No dia seguinte diante de seu superior:
-Estou aqui como havia me ordenado Mestre, estou pronto!
-Volte amanhã...Eu não estou pronto ainda para enfrentá-lo! - Responde ao seu aluno, que por sua vez não compreende a atitude do Mentor em adiar sua prova final! Mesmo assim o aluno respeitosamente acata as ordens de seu amado Mestre e como um dia antes, ele treina por horas seguidas, preparando-se para o confronto do dia seguinte... Novamente o aluno retorna na presença dele:
-Mestre...Desculpe-me em incomodá-lo, mas como havia me ordenado, aqui estou!
-Hum!!!O que queres? pergunta o educador como se estivesse esquecido do pedido de seu aluno!
-Mestre... Desejo que me avalie, se estou ou não apto em tornar-me  "Instrutor Mestre"!
-Desejas então enfrentar-me em combate? Sim claro...Sem problemas, VOLTE AMANHÃ! Para que eu possa te avaliar!
-Mas Mestre...Por duas vezes me ordenaste voltar no dia seguinte...Me preparei para este momento e nada aconteceu...
-Verdade? Tiveste mais tempo para se preparar, que bom...Treine mais um dia e amanhã volte aqui! Ordenou mais uma vez o seu aluno!
                               O aluno muito a contra gosto, respeitando a ordem que lhe fora dado pelo Mestre, novamente pediu licença e afastou-se do local, partindo para a sala de armas e treinando muito mais que antes! No dia seguinte:
-Mestre...
-Sim...
-Estou aqui como havia me ordenado...
-Percebi...Responde o Mestre!
-Então?
-Então o quê?
-Irá me avaliar?
-Claro...Vá para a sala de armas e me espere lá! -Ordena o Mestre.
                           O aluno então contente com a decisão do educador, segue rapidamente para a outra sala, onde prepara-se em aquecimentos e movimentos para enfrentar seu Mestre. Passou meia hora, uma hora e meia e nada do Mestre aparecer...O aluno anda de um lado para o outro, inquieto pela espera da presença de seu Mentor, mesmo assim, passaram-se mais de três horas e não havia aparecido, então o aluno toma uma decisão de ir de encontro de seu respeitado mentor, segue em direção a sala de meditação e lá estava o Mestre em profunda concentração:
-Mestre...
-Sim...
-Estava aguardando o Senhor na sala das armas...
-Se estava me esperando como eu havia pedido, o que faz aqui?
-Vim até aqui pela longa demora... Aconteceu algo?
-Sim...sua impaciência!
-Mas Mestre...Fiz tudo que havia me ordenado! Pacientemente aguardei por horas!!!

-Mesmo assim! Voce não teve a paciência de me esperar, isto prova que não está preparado para me enfrentar, um duelo é mais que vencer ou perder, mais que saber quando defender ou atacar...É saber perceber o momento certo de duelar, o seu momento e o momento de seu adversário! A impaciência gera movimento e a ação da derrota mesmo antes da luta! Voce se sente preparado para me enfrentar, acredito que realmente esteja pronto...Só não sabe aguardar o momento certo da luta, portanto...
Vá e treine a maior de todas as artes...A arte da paciência!
                                    Ouvindo isto o aluno afastou-se em silêncio, até que seu Mestre o chamasse, pois percebeu que só estaria realmente pronto, quando partir de seu Mentor e não dele o pedido!
Resumo: "A arte da luta é a sabedoria de quem sabe esperar o momento certo de lutar".

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Great Master Makáo 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O Mundo real!

                                        A maior dificuldade do aluno é visualizar os ensinamentos filosóficos, ao qual seu Mestre dispõe abertamente , isto muitas vezes leva o aluno a uma profunda análise e auto crítica, que acabam de certa forma, em muito mais perguntas do que respostas:

-Mestre, eu percebo que a filosofia nem sempre relaciona-se diretamente com os fatos do mundo real...
-Em que sentido? PERGUNTA O MESTRE!!!
-Acho que a visão filosofica distorce a realidade, buscando uma forma abstrata do mundo real!
-Qual realidade?
-Como assim Mestre? Existe mais de umna realidade?
-Sim...-Após uma pausa o Mestre continua:
-A realidade possui muitas formas, nem sempre a realidade é percebida como tal, um exemplo que podemos ter é o "inventor"...
-Um Inventor? De que maneira Mestre?
-O inventor percebe uma realidade que ainda não ocorreu, isto não significa que sua visão distorceu o mundo real, simplesmente ele percebe a realidade que ainda não chegou as vias de fato. O inventor tem como objetivo, mudar a realidade com seus inventos. Portanto, a realidade se cria, antes disto a realidade simplesmente é uma idéia, mas não podemos afirmar que ela não exista, ela é uma realidade distante do suposto mundo real, uma realidade que existe apenas na mente de quem a cria!


-Neste caso o inventor cria a realidade por meio de uma idéia, mesmo sendo uma realidade somente dele...Até que se materialize no mundo real, é isto Mestre?
-Exato! -O Mestre exclama com admiração, a resposta do aluno.
-Mas Mestre o que tem isto haver com a filosofia?
-Simples...a filosofia é a mesma visão, que a do inventor, ela analisa o mundo e verifica a realidade que falta ao mundo supostamente real, interage com a realidade externa edificando novas idéias no seu mundo interior, cria realidades internas que expliquem as realidades preestabelecidas!
-Compreendo Mestre...A realidade começa existir de premissa  do pensamento, da análise cria-se o fato aceito como real!
-Muito bem meu jovem, vivemos no mesmo mundo, mas somos de gerações diferentes, a realidade que vivi neste mundo, é bem diferente da realidade de seu mundo atual ao qual voce vive...mesmo mundo, realidades diferentes , uma realidade criou a outra! A realidade transita em nossas mentes, como sonhos, invenções que profetizam a realidade do amanhã...
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Great Master Makáo 

sábado, 10 de novembro de 2012

A árvore e o Qi da vida!

                                       
                                       Era uma tarde em que todo a cidade de Zigang esperava para comemorar  a época das colheitas, a viela principal havia sido toda enfeitada com papéis coloridos, cada qual representando os principais produtos anteriormente plantados, a cidade outrora pequena crescia, sendo palco de uma festividade que trazia pessoas das cidades vizinhas. Nesta oportunidade o Mestre  e seu discípulo caminham entre o povo que tomavam conta de cada metro das ruas...O discípulo dificilmente via seu Mestre fora da escola, muito menos tinha a possibilidade de desfrutar de sua companhia fora dos muros do templo, para ele, isto já era motivo de extrema alegria.
                                          As crianças corriam pelas ruas, o povo fazia filas ao redor das árvores para amarrar fitas coloridas nos galhos de árvores, fitas estas, com seus pedidos escritos para uma boa colheita. Tradição budista comum em toda a China...  
-Mestre, porque as pessoas fazem seus pedidos de uma boa colheita e amarram nos galhos das árvores? - Pergunta o aluno curioso!
-O povo acredita que a árvore, por fazer parte da mãe natureza, pode encaminhar seus pedidos de uma boa colheita para a terra onde foi plantada as diversas sementes... 
-Isto realmente ocorre?
-A "terra" devolve ao homem tudo que o homem oferece a ela...Responde o Mestre! 
-Como assim...
- Se oferecemos sementes a terra gera frutos, se viramos a terra com o arado, ela flora seus nutrientes para o plantio, mas tudo isto é inutil se não oferecemos respeito a terra como parte integrante de nossas vidas!
- Mas Mestre, como pode uma árvore interpretar os pedidos escritos? Seria ela capaz de ler os pedidos, ao meu ver isto me parece incoerente!
O Mestre esboça um pequeno sorriso entre os lábios ao ouvir os comentários do aluno e diz:
- A árvore de certa forma "lê" os pedidos sim...
-Como? A árvore tem olhos? Tem cérebro para interpretar os pedidos?
-De certa forma sim...Repete o Mestre.
-Não compreendo Mestre! Responde o aluno incrédulo nas afirmações do Mestre, que prontamente tenta explicar ao aluno:
- Tudo que possue vida no planeta, de certa forma está interligado por uma energia sutil, que chamamos de "QI", esta energia é percebida em todas as coisas, mesmo que não tenhamos uma nítida visão de sua ação...


                                       O vento move correntezas dos rios, que movem moinhos, que por sua vez, moem sementes que tornam-se fonte de alimentos...Mas a energia "Qi" foi a fonte geradora que moveu o vento! O mesmo ocorre com os pedidos escritos nas fitas amarradas nas árvores, a energia Qi está ali, só não percebemos com os olhos... cada "fita" leva consigo a energia Qi de quem a colocou nos galhos das árvores, somam-se com o "Qi" da árvore, tornam-se parte integrante dela, viram energias que se completam, e deixam de ser "fitas com pedidos" e tornam-se parte dos galhos, folhas e frutos, tudo isto gerado pela "intenção do pedido"!
-Quer dizer que a energia Qi dos pedidos, serão interpretadas pela árvore?
-Sim! Responde o Mestre
-Isto me parece um pouco lúdico Mestre!-Responde o aluno relutante em crer nas explicações do Mestre...
-Perceba por um instante...A árvore está forrada de pedidos que tremulam as fitas ao vento, ela está "vestida" de cores, como "uma mulher que escolhe sua vestimenta mais bela"...Como a mulher...ela transmite sua energia Qi! Em outros países esta tradição também é realizada, mas com outros objetivos!
- Mestre...Não seria apenas um ritual de crenças?
-Não importa! O que realmente tem valor nestas festividades é a energia "Qi" que se manifesta, independente dos motivos e interpretações que possamos dar a ela!
-Por este motivo que o Mestre diz que a natureza devolve o que damos a ela?
-Sim...
-Nossos desejos são manifestações de nosso Qi, nossos sentimentos e anseios são geradores do movimento de nossas energias, que se transferem de forma positiva ou negativa, como exemplo podemos perceber isto diante de uma bela árvore robusta de folhas, flores e frutos, nos transmite uma energia do Qi que nos invade a alma com prazer, mas se esta mesma árvore estiver sêca, com galhos sem folhas,sem frutos e flores a mesma energia "Qi", modifica-se e nos enche de solidão...Sendo assim, nossa energia Qi torna-se semelhante a energia da árvore!
                                               Neste momento o aluno olha para seu Mestre, olha para a árvore repleta de fitas, o jovem caminha em direção do grandioso tronco coberto de fitas e amarra seu "pedido"...  E comenta ao Mestre:
-Obrigado Mestre...Agora compreendo que não importa o pedido que se faça, não importa se o pedido será realizado, o que importa realmente é a energia que depositamos em nossas ações, deixando assim, que o próprio "Qi" se manifeste!



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Great Master Makáo