Certa manhã na escola, um aluno chega bem cedo e percebe seu Mestre treinando solitariamente, sem se deixar perceber o aluno fica mantendo uma determinada distância, podendo assim vislumbrar os golpes e movimentos de seu Mestre...Passou algum tempo ali quieto, com os olhos arregalados, sem perder qualquer movimento de seu Mentor, que por sua vez, mantinha-se parado diante de uma grande folha de papel de arroz colocado verticalmente à sua frente, ao qual era sustentado apenas por duas finas cordas. O Mestre ficou em pé parado ali, diante da folha frágil sem se mover, fitando-a em silêncio como se estivesse diante de uma parede, o aluno não sabia qual era a sua pretensão, mesmo assim manteve-se atento ao Mestre, quase sem piscar! Passaram-se alguns minutos e nada...Lá estava o Mestre diante da folha de papel que tinha aproximadamente uns 2 metros, o silêncio permitia que a respiração do velho Instrutor pudesse ser ouvida, mas em um determinado momento o Mestre começa a caminhar em direção a parte de trás do papel e pega nas mãos um tijolo de barro e coloca pendurado bem próximo da folha de papel, em seguida retorna para o outro lado da face do frágil papel de arroz...
Mais uma vez, o Mestre fixou-se em pé diante da moldura de papel por minutos que pareciam uma eternidade, o aluno por sua vez, via sua curiosidade crescer, até que seu Mestre aproxima-se do papel a sua frente, assume uma postura de combate e mais rápido que os olhos do aluno, arremessa um soco em direção ao papel que flutuava a sua frente, o papel atingido nem sequer balança, como se fosse realmente uma parede sólida, mas algo acontece...O tijolo pendurado por de trás acaba explodindo em pedaços enquanto voava em uma distância considerável! Vendo isto o aluno não se contém e solta uma palavra..."Nossa".
O Mestre percebe a presença do jovem aluno espionando-o e pergunta: - Quem está aí?
O aluno ao ser surpreendido, caminha em direção ao seu Mestre de cabeça baixa, envergonhado por ter sido descoberto:
-Sou eu Mestre!
-O que fazias ai escondido?
-Mestre eu havia chego e percebi o senhor treinando e não quis interromper...
-Ficou me espionando...-Responde o Mestre com tom de acusação!
-Não Mestre, não foi minha intensão...Responde o aluno nervoso.
-Pois bem, não importa...De nada adianta "ver" o que não se sabe "FAZER", venha aproxime-se! Ordenou o Mestre!
O aluno caminha em sua direção lentamente, ao colocar-se ao seu lado, é perguntado:
-Estais vendo este papel?
-Sim Mestre...
-Existe alguma marca de meu soco nele?
-Não Mestre!
-Agora diga-me, o que ocorreu com o tijolo colocado a trás dele?
-Mestre...Não sei bem ao certo, foi rápido demais, mas o que me parece...Ele foi golpeado pelo seu soco e explodiu...Só não entendo como seu soco atingiu o tijolo sem deixar marcas no papel a sua frente...Como pode?
-Isto depende unicamente de qual era o objetivo do soco...Responde o Mestre!
-Como assim?
-Meu objetivo não era atingir o papel e sim o tijolo...
-Mas o papel estava entre seu soco e o tijolo...O papel é frágil e rompe-se até mesmo com o vento, como nada sofreu diante de um soco tão poderoso?
-O papel não era um obstáculo e sim um limite que meu soco deveria respeitar, caso meu soco avançasse milésimos à frente, ele iria partir-se...Na verdade quem quebrou o tijolo foi o papel! -Responde o Mestre seriamente ao aluno!
-Como assim Mestre? O papel quebrou o tijolo, perdoe-me mas isto me parece impossível!
-Eu somente transferi ao papel a potência de meu soco, ele repassou a mesma energia ao tijolo, nada mais! O Mestre neste instante pega outro tijolo e da mesma forma que a primeira vez, amarra o mesmo por de trás do papel bem encostado e diz ao aluno:
-Agora quero que faça o mesmo, quebre o tijolo sem rasgar o papel!
-Mas Mestre...Eu não sei como fazer!
-Simplesmente faça...e só defira o soco quando sua mente compreender que seu alvo é o tijolo e não o papel, seu soco mesmo sendo potente e veloz deve parar ao tocar a superfície do papel, nem um milímetro a mais deve avançar, seus punhos não devem sentir o tijolo, somente o papel!
O aluno coloca-se diante do papel duas vezes maior que ele mesmo, esticado como um tapete pendurado... Em um breve momento dispara seu soco, que em seguida ao impácto sofre um rasgo, enquanto o tijolo somente balança sem sofrer qualquer dano. O aluno sente-se decepcionado diante de tal façanha, olha para o Mestre que em seguida comenta:
-Existe uma linha tênue entra a ação e reação, quando buscamos resultados eficientes de nossos atos, não podemos fluir de forma errada, o papel não deve ser visto como obstáculo para atingir o seu objetivo, mas sim deve ser respeitado como um aliado!
Portanto, seu soco deve agir como uma pedra arremeçada ao lago, repicando na superfície antes de afundar, a ondulação da água poderá virar uma pequena onda que se desloca até a outra margem! Assim deve ser o seu soco...Não passe da superfície do papel, aja como a pedra, o resto deixe que o papel irá realizar o seu intento! Agora pratique! Dito isto, o Mestre se retirou deixando seu aluno ali...Parado diante do Papel de arroz!
By
Great Master Makáo
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