domingo, 28 de outubro de 2012

"O raio e a chuva"

                                 
                                    Certo dia, uma incrível tempestade tomou conta do local onde existia um templo de meditação, ali se encontrava o Mestre e seu aluno, juntos meditavam lado a lado, mas o jovem não conseguia se concentrar diante dos trovões e relâmpagos! O jovem rapaz constantemente abria os olhos em pavor constante pelos raios luminosos que poderiam ser vistos pela janela á sua frente! 

O Mestre percebendo a inquietude do aluno pergunta:
-O que tanto te tormentas meu jovem?
-Os relâmpagos...Mestre tenho medo!
-Medo de que? Dos raios? - Questiona o Mestre...
-Sim...
-O que temes nos raios?
-Não gosto Mestre, temo que atinja o templo ou até mesmo nós! -Responde o aluno ao seu Mestre, com olhos arregalados diante um novo clarão e um estrondo ensurdecedor. Seu Mestre solta um breve sorriso ...
-Do que estais rindo Mestre? -Pergunta o aluno tímido e irritado com o sorriso de descaso estampado na face de seu Mestre.
-Teu medo lembra os meus medos em tua idade...Todo medo é compreensível enquanto não percebemos porque ele existe! O medo é uma forma pura de sentimento ao desconhecido...
-Como assim Mestre, estais afirmando que meu medo não tem motivo para existir? E os raios, não devo temê-los?
-Tememos somente o que não compreendemos... A natureza do temor é embalado no colo da incompreensão, enquanto estamos conversando, voce nem mesmo percebeu que os trovões pararam, vamos lá fora... quero te mostrar algo! -Responde o Mestre.



                                   Ambos caminharam entre as colunas que davam acesso ao salão principal que por sua vez, levava direto ao pátio externo do templo...Ainda chovia  de forma fraca , lavando as escadarias do templo, ambos pararam diante de um pequeno anteparo da soleira do templo, protegendo-se da chuva que encantadoramente ressoava lentamente no telhado de barro...
-Mestre por que viemos até aqui? 
-O que estais vendo? Mudou alguma coisa? -Perguntou o Mestre ao aluno, diante da garoa fraca...
-Chuva, Mestre...Nada mais! -Responde o aluno confuso com a pergunta do Mestre.
-Nada mais?
-Não Mestre, o que mais deveria perceber?
-Percebes a chuva, mas não percebes por quem ela foi enviada...
-Pela tempestade Mestre?
-Sim, temes a chuva?
-Não Mestre...
-Somos os principais responsáveis por nossos temores, a chuva por si só é tão perigosa quanto os raios que temes, não vês o perigo na chuva? Ela poderia inundar o templo, poderia destruir tudo que poderia ser levado por uma enchente, mas para tua alma a chuva não tráz perigo! Não temes o raio, mas a grandeza visual e a luminosidade desprendida por ele, bem como o sombroso som que vibra em teus ouvidos...
-Então  Mestre, estava temendo a grandeza da tempestade?
-O teu temor tornou a tempestade maior do que realmente ela é, já a chuva, para ti ela tornou-se insignificante, pelo simples fato que aos teus olhos, a chuva te  parece inofenciva, silenciosa e menos avassaladora! -Conclui o Mestre ao aluno pensativo.
-Qual é mais perigosa Mestre? A chuva ou os raios e trovões? 
-Meu caro jovem...Para quem não sabe nadar, até mesmo a água de um riacho quase sêco, pode dar a sensação de afogamento, não importa a quantidade de água, seja aquele que toca nossos pés ou aquela que atinge nosso pescoço, ambas são perigosas para quem teme a água, para quem não sabe nadar! 
-Pela explicação que me deste meu bom Mestre, nada devo temer...
-Só teus medos, só teus medos meu jovem, vamos...voltemos a sala e retomemos nossas meditações...-Responde o Mestre!
                    

By
Great Master Makáo